Google Cloud Cresce 63% e Lucro da Alphabet Dispara 81%: A Era de Ouro da IA Chegou

Alphabet reporta receita de US 110 bi de lucro de US 10 bi e lucro de US 62,6 bi. Google Cloud ultrapassa US$ 20 bi no trimestre impulsionado por IA. Veja os números da nova era de ouro.

5/6/20264 min ler

O dia 30 de abril de 2026 entrou para a história do mercado de tecnologia. A Alphabet, controladora do Google, não apenas divulgou seus resultados financeiros do primeiro trimestre. Ela detonou uma bomba no mercado, reescrevendo a narrativa sobre a inteligência artificial. A pergunta deixou de ser “a IA vai dar lucro?” para “quem consegue competir com o Google nessa nova era?”.

A resposta, por enquanto, é ninguém.

O número que parou Wall Street

Os analistas mais otimistas esperavam um bom resultado. Mas o que a Alphabet entregou foi um terremoto financeiro. A empresa reportou uma receita consolidada de US$ 109,9 bilhões no primeiro trimestre de 2026 — um salto de 22% em relação ao ano anterior.

Mas o verdadeiro choque veio na última linha do balanço: US$ 62,6 bilhões de lucro líquido, uma explosão de aproximadamente 81% em relação ao mesmo período do ano anterior. O lucro por ação (EPS) chegou a US$ 5,11, superando com folga o consenso dos analistas, que estimava cerca de US$ 2,63. A ação disparou mais de 10% no dia seguinte.

“Nossos investimentos em IA e nossa abordagem full-stack estão iluminando cada parte do negócio”, resumiu o CEO Sundar Pichai na conferência de resultados. E ele não estava exagerando.

Google Cloud: a joia da coroa

Se o resultado geral foi espetacular, o desempenho do Google Cloud foi simplesmente estratosférico. A divisão de computação em nuvem atingiu, pela primeira vez na história, US$ 20 bilhões em receita trimestral, com crescimento de 63% em relação ao ano anterior — uma aceleração impressionante sobre os 48% registrados no trimestre anterior.

Para entender a magnitude desse número, compare: a Microsoft Azure cresceu 40% no mesmo período, enquanto a Amazon Web Services (AWS), líder de mercado, avançou 28%. O Google Cloud está crescendo mais que o dobro da AWS e, como destacou Sundar Pichai, essa é a terceira aceleração consecutiva da divisão.

“O maior contribuinte para o crescimento do Cloud neste trimestre foram as soluções de IA, impulsionadas pela forte demanda por nossos modelos líderes do setor, incluindo o Gemini 3”, afirmou a CFO Anat Ashkenazi.

Os números impressionam. O lucro operacional do Google Cloud saltou de US$ 2,2 bilhões para US$ 6,6 bilhões, enquanto a margem operacional atingiu 32,9% — quase o dobro dos 17,8% registrados um ano antes. Além disso, a carteira de pedidos (backlog) praticamente dobrou em apenas três meses, ultrapassando US$ 460 bilhões.

Em outras palavras: a demanda por IA está muito à frente da capacidade atual de infraestrutura.

O motor oculto: IA generativa cresce 800%

Se o Google Cloud é o foguete, o combustível é a IA generativa. Durante a conferência de resultados, Sundar Pichai revelou um dado impressionante: a receita de produtos baseados em modelos de IA generativa cresceu quase 800% em relação ao ano anterior.

A empresa está processando mais de 16 bilhões de tokens por minuto via API — acima dos 10 bilhões registrados no trimestre anterior. Já o Gemini Enterprise, voltado para grandes corporações, viu o número de usuários ativos pagos crescer 40% em apenas três meses.

“Nosso portfólio de modelos está atraindo clientes que buscam uma plataforma única e poderosa para IA. O momentum no segmento empresarial segue forte”, resumiu Pichai.

A corrida do ouro: US$ 725 bilhões em infraestrutura

Os números do Google Cloud não são um ponto fora da curva. Eles representam o sinal mais claro de que a corrida do ouro da inteligência artificial começou de verdade.

Para acompanhar a demanda explosiva, a Alphabet investiu US$ 35,7 bilhões em infraestrutura apenas no primeiro trimestre, mais que o dobro do valor investido no mesmo período do ano anterior. A empresa também elevou sua projeção de gastos de capital (CapEx) para 2026, estimando investimentos entre US$ 180 bilhões e US$ 190 bilhões.

E a Alphabet não está sozinha. A expectativa é que o investimento combinado das cinco maiores empresas de tecnologia ultrapasse US$ 725 bilhões ao longo de 2026. A AWS planeja investir cerca de US$ 200 bilhões, enquanto a Microsoft projeta aproximadamente US$ 190 bilhões no mesmo período.

Mesmo com cifras gigantescas, a infraestrutura ainda não consegue acompanhar a velocidade da demanda. Sundar Pichai admitiu que o Google enfrenta “restrições de computação no curto prazo”. Em outras palavras: o Google Cloud poderia ter crescido ainda mais se houvesse capacidade suficiente para atender todos os clientes.

O lado menos brilhante da história

Apesar do brilho do Google Cloud, nem tudo foi positivo no balanço da Alphabet. A empresa registrou uma queda de 4% nas receitas de anúncios de rede em relação ao ano anterior, sinalizando desafios em um segmento que durante anos foi seu principal motor de crescimento.

As despesas operacionais totais subiram 24%, atingindo US$ 28,9 bilhões, impulsionadas principalmente por maiores gastos com compensação e marketing. Já a divisão Other Bets, responsável pelas apostas mais arriscadas da companhia, registrou um prejuízo operacional de US$ 2,1 bilhões.

Esses números mostram que, embora o Google Cloud esteja se transformando em uma máquina de lucro, a Alphabet ainda enfrenta dificuldades em diversificar completamente suas fontes de receita além da publicidade.

O que o usuário comum tem a ver com isso?

Você pode estar se perguntando: “Mas o que bilhões de dólares da Alphabet têm a ver comigo?”. A resposta é simples: tudo.

Quando o Google investe bilhões em infraestrutura e IA, os produtos que você usa diariamente ficam mais inteligentes. A Busca do Google melhora. O YouTube recomenda vídeos com mais precisão. O Gemini entrega respostas mais avançadas. O Google Fotos edita imagens com qualidade cada vez maior.

“Os assinantes estão usando IA para gerar novas ideias de negócios e criar campanhas publicitárias melhores”, exemplificou Pichai durante a conferência.

A era em que a inteligência artificial era apenas uma promessa acabou. O Google está lucrando com IA, seus clientes estão lucrando com IA, e os resultados da Alphabet são a prova definitiva de que a transformação digital impulsionada por inteligência artificial já não pertence ao futuro. Ela já começou.